Prevenção em saúde mental
Ações preventivas podem ser definidas como intervenções desenvolvidas
para se evitar o surgimento de doenças específicas, através da detecção,
do controle e da mitigação dos fatores de risco dessas enfermidades
(Czeresnia, 2003; Buss, 2003). Segundo Giovanni Abrahão Salum Júnior, coordenador júnior do Projeto
Prevenção, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Psiquiatria do
Desenvolvimento para a Infância e Adolescência, a Psiquiatria está
buscando uma abordagem preventiva, pois vários transtornos mentais, como
a depressão, o transtorno do deéficit de atenção/hiperatividade e a
esquizofrenia, podem se tornar crônicos, mesmo com tratamento, trazendo
sofrimento e prejuízos sociais e econômicos. Giovanni Salum destaca que
esse é um referencial novo, já que, em geral, a área da saúde mental tem
se dedicado mais ao tratamento e à reabilitação dos portadores de
distúrbios mentais.
Giovanni Salum explica que
as pesquisas sobre a relação entre fatores
genéticos e o ambiente sugerem que os genes não determinam as doenças de
forma definitiva, os transtornos psiquiátricos são resultado de uma
interação complexa entre vários genes de pequeno efeito (isto é, cada
gene é responsável por parte dos sintomas) e diversos fatores
ambientais.
As pesquisas indicam que os fatores ambientais são capazes
de alterar a nossa biologia. Embora eles não sejam capazes de modificar a
sequência do DNA que herdamos, o ambiente é capaz de alterar quais e
como os genes são expressos em determinadas células durante o
neurodesenvolvimento. A exata relação entre os fatores genéticos e os
fatores ambientais, bem como a magnitude do risco do desenvolvimento de
uma psicopatologia ainda são aspectos desconhecidos e provavelmente são
bastante diferentes para cada pessoa. Giovanni Salum destaca que existe a
possibilidade de serem criadas estratégias de prevenção, quando se
considera o papel, ainda inexplorado, do ambiente em “ativar” e
“desativar” as porções do nosso DNA.
Com a definição dos fatores de risco para o desenvolvimento de determinados problemas de saúde mental, no futuro, será possível
desenvolver programas de prevenção seletiva (aplicados para indivíduos
com os fatores de risco específicos) e programas de prevenção indicada
(aplicados para indivíduos que já manifestam emoções e comportamentos
disfuncionais, mesmo que ainda não preencham diagnóstico formal).
Giovanni Salum afirma que esses dois tipos de programas de prevenção são
mais indicados porque os programas de prevenção universais (quando as
intervenções são aplicadas para todas as crianças, sem a identificação
de quais estão em risco) são mais caros e podem não atingir as
especificidades de cada transtorno.
Outros estudos buscam pesquisar sobre estados
mentais de risco para a esquizofrenia e para o transtorno afetivo
bipolar. Estado mental de risco é um conjunto de sintomas ou
comportamentos que indicam a possibilidade do aparecimento futuro de um
transtorno mental grave. Existe na literatura a hipótese de que uma
intervenção na fase de estado mental de risco pode alterar o curso do
transtorno, sendo possível reduzir o sofrimento dos adolescentes e
prevenir a conversão para quadros mais graves, por isso é um dos campos
mais promissores para as pesquisas.
Para realização de ações preventivas, o psicólogo trabalha com a comunidade em ações
dirigidas para a população em geral ou para segmentos específicos, por
exemplo, crianças e adolescentes, buscando reduzir a ocorrência de
problemas de ajustamento e promover a construção de competências
associadas à saúde mental. O objetivo é promover fatores de proteção,
aspectos sadios que podem ser ativados diante de situações adversas.
Nessa abordagem, o psicólogo não impõe a adoção de comportamentos, ele
estimula o fortalecimento do grupo para que, se surgir alguma
adversidade, os indivíduos sejam capazes de ultrapassar o problema
através da resiliência ou consigam enfrentar e reagir, utilizando suas
habilidades de vida.
O conjunto de fatores de proteção de cada indivíduo, explica Sheila
Murta, funciona como um recurso de ajuda na interação com eventos
estressores da vida, evitando consequências negativas para a saúde
mental. Exemplos de fatores de proteção são os vínculos afetivos, o
humor, o bom funcionamento cognitivo (inteligência), as habilidades de
comunicação e as habilidades sociais (relação interpessoal),
relacionamentos sociais e afetivos (rede de apoio social), acesso aos
serviços de saúde e à educação e as políticas públicas de proteção aos
direitos humanos. A promoção de fatores de proteção pode ser realizada em diferentes
áreas da Psicologia, como a Psicologia comunitária, Psicologia escolar e
a Psicologia da saúde.
Darío Cunha Ramirez, pesquisador da Universidade Federal de Santa
Catarina, esclarece que os riscos relacionados à saúde mental podem ter
diversas origens: física (como doenças genéticas ou adquiridas), social
(por exemplo, um ambiente violento), psicológica (efeitos de abuso,
negligência ou exploração, entre outros). O que determina que uma pessoa
seja vulnerável ou resiliente? A definição de eventos ou situações como
prejudiciais ou favoráveis não é única para todas as pessoas e para os
diferentes contextos. A literatura científica tem destacado cinco
fatores gerais que explicam as variações individuais frente à
adversidade: idade, personalidade, suporte social, experiências
anteriores e os modelos de relação entre família e criança.
Uma das metodologias para promover os fatores protetivos é o ensino de
habilidades sociais, como, por exemplo, a habilidade para a tomada de
decisões e para a resolução de problemas, o pensamento crítico e a
comunicação eficaz de sentimentos, habilidades de recusa, dentre outras.
Treinamento de habilidades sociais pode colaborar para a prevenção de transtornos psicológicos e outros desajustes emocionais, podendo ser realizado, por exemplo, nas escolas e nas empresas
Sendo assim, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, a psicoterapia não é indicada apenas nos casos em que há um transtorno psicológico instalado. A busca por um psicólogo colabora para a prevenção de dificuldades posteriores, para o bem-estar emocional e, consequentemente, para uma melhor qualidade de vida!
Tô investindo justamente nessa área aqui em Poços, Alineee!
ResponderExcluirExistem poucas propostas neste país para a prevenção